07/03/2022
Transcrição EP #49 — Como incluir a doação no planejamento financeiro?

Roberta: Início do mês, quando cai o salário, sempre é a mesma coisa, né? Calculadora em uma mão, boletos na outra e dá-lhe separar o dinheiro para as despesas. E aí conta vai, conta vem, e na hora que você recebe um convite para doar a conta corrente já tá pedindo água. E se a gente fizesse diferente? Já desde o começo do mês, do ano, melhor ainda!, deixar sempre uma linha da sua planilha pra doação? Que diferença isso pode fazer? E dá pra fazer! Para falar sobre planejamento financeiro e doação, conversamos com a Julia Mendonça, influenciadora digital de finanças pessoais e educação financeira. Afinal, se planejar direitinho, todo mundo doa! 

 

Eu sou Roberta Faria

 

Artur: Eu sou Artur Louback

 

Roberta: E como incluir a doação no planejamento financeiro é o tema de hoje no… 

 

Artur e Roberta: Aqui se Faz, Aqui se Doa!

 

Artur: Está começando mais um Aqui se Faz, Aqui se Doa, o seu podcast semanal sobre cultura de doação produzido pelo Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior e divulgação do Infomoney. 

 

E o assunto de hoje é planejamento. Eita, nessa hora já tô até vendo muitos dos nossos milhares de ouvintes virando os olhinhos e pensando: lá vem assunto chato por aí, né? Planejamento financeiro não é a coisa mais divertida do mundo, não vou mentir, ainda mais em tempos em que a economia anda tão imprevisível. Mas o que posso lhes dizer é: viver de improviso é menos divertido ainda, não é, Roberta?

 

Roberta: Como dizia o famoso Renato Russo: “disciplina é liberdade!”Com certeza! Quando a gente planeja a nossa vida, em qualquer aspecto, ela tende a “funcionar” melhor! Ou vai me dizer que você não gosta de planejar uma viagem, por exemplo?

 

Artur: Vou ter que não gosto. Mas adoro viajar e, já aprendi, que planejando a viagem, a gente aproveita melhor o tempo, gasta menos e até consegue fazer coisas que não faríamos se não tivéssemos organizado antes de fazer as malas. E isso também acontece com a filantropia! Se esperar pra sobrar dinheiro pra doar, talvez isso nunca aconteça. Mas reservar uns reaizinhos todo mês apoiar uma ou mais ONGs permite que, no fim do ano, você olhe pra trás e se encha de orgulho do ato cidadão realizado. É um hamburguer a menos no mês que pode virar a linha da filantropia na sua planilha financeira. Eu faço várias doações desse tipo. 

  

Roberta: É a chamada doação recorrente. Vamos chamar a Rafa para nos explicar melhor o que é. Bem-vinda Rafa! Conta para a gente o que é essa tal doação recorrente.

 

Rafa Carvalho: Oi pessoal! Vamos lá? O termo doação recorrente pode até ser associado a uma obrigação quando ouvido pela primeira vez, mas está longe disso. A doação recorrente é uma doação de previsão mensal, ou seja, vai acontecer a cada 30 dias. Ela é super importante para o planejamento das contas de uma ONG e também para a manutenção de suas atividades da organização. Ela pode garantir o futuro e a independência financeira dessa instituição. 

 

Quanto mais pessoas fazem uma doação recorrente para uma ONG, mais saudável (e sustentável) é a vida financeira da organização. E é super fácil doar todo mês. Você pode programar a doação no seu cartão de crédito, no débito automático ou até mesmo em contas de consumo. Existem ONGs que fazem parcerias com empresas de telefonia para que a doação mensal seja debitada diretamente da conta do celular. Se ficou interessado, é só entrar em contato com a sua ONG de preferência, aquela do seu coração, para verificar se ela tem esse tipo de parceria e autorizar o débito. E, se não tiver uma ONG do coração, é possível doar via cartão de crédito, PIX, boleto ou débito na conta bancária. O importante é não deixar de contribuir escolhendo uma organização em que você confia! 

 

É isso, pessoal! Eu sou a Rafaela Carvalho e toda semana eu ajudo a desvendar um termo importante para a cultura e doação. Até mais!

 

Roberta: Obrigada, Rafa, por nos ajudar a entender a importância da doação recorrente. Não é somente nos momentos de grandes catástrofes ou necessidades, como a pandemia, que a doação é necessária para uma ONG. Afinal, assim como nós, elas precisam pagar as suas contas para se manter de pé. 

 

Artur: É isso aí! E você sabia que apenas 8% dos brasileiros doam 12 ou mais vezes por ano? E destes, 37% são doadores mensais, ou seja, que fazem uma doação todo mês.

 

Roberta: É claro, gente, vamos fazer um parênteses aqui para falar que isso se deve muito a situação do país. A gente tem mais da metade dos brasileiros vivendo em situação de pobreza, em insegurança alimentar, então, realmente, quando a gente fala em planejamento financeiro e doação, estamos falando para quem já tem a sua dignidade e necessidades básicas atendidas minimamente para pensar em outras coisas. Quem está tentando sobreviver é para quem a gente vai doar, inclusive. Agora, voltando ao assunto.

 

Se você tem como se planejar vou te dar um exemplo: Douglas Meira, morador de Mauá, se encaixa nesse grupo aí. Desde o ano passado ele doa mensalmente, pelo cartão de crédito, para o Unicef, uma causa muito cara a ele, focada na defesa da criança e promoção da educação e saúde infantil. Vamos ouvir.

 

Douglas: Eu sempre tive muito interesse em fazer doações para instituições que defendem bandeiras em que eu acredito muito. Uma delas é a bandeira da promoção da educação e da saúde infantil, que para mim é uma causa muito prioritária e eu acho que é muito importante encontrar uma forma de fazer essa doação de uma maneira organizada, programada, sem que a gente esqueça e também evitando qualquer tipo de insegurança para evitar qualquer tipo de fraude ou dado falso no qual a gente pode fazer algum tipo de transferência sem ter a garantia que o valor está realmente chegando para a instituição. Então por isso que eu optei, desde o ano passado, programar uma doação mensal no cartão de crédito, debitada, para o Unicef, que é uma instituição que eu acredito muito e essa doação é debitada todo mês no meu cartão de crédito. Dessa forma eu tenho a garantia da segurança que a doação vai chegar no destinatário correto e eu também tenho uma programação organizada que evita que eu esqueça de fazer esse tipo de transferência.    

 

Artur: Mas Roberta…. e quando a pessoa tem várias causas do coração, quer ajudar várias ONGs, mas tem o orçamento restrito e não pode doar para todas elas? O que faz? 

 

Roberta: Sei bem como é isso, Artur. Ela pode fazer que nem a Lídia Guerra Brito, psicóloga de São Bernardo do Campo, que a cada mês faz uma doação para uma instituição diferente. Vamos ouvir como ela faz essa logística?

 

Lídia: Eu incluí algumas causas sociais no meu orçamento mensal fixo. Aí eu organizo as minhas metas financeiras, colocando esse compromisso como parte dos gastos que são importantes para mim como todos os outros gastos. Porque é valioso para mim fazer a doação mensal para a Vanessa, conseguir cuidar do resgate e cuidados dos animais, colaborar com meu amigo Robson nos objetivos da comunidade que ele ajuda, me dedicar um pouquinho do que eu posso para a equipe da instituição assistencial MeiMei no acolhimento das crianças, no outro trabalho de recuperação de pessoas alcoólicas, com a comunidade da Fernanda, Anjos Lara acolhimento de crianças, ou dos jovens que conversam com moradores de rua, entregando produtos de higiene, lanche e afeto, lá da Café com os Amigos. Me traz certeza de pertencer a algo maior e para fazer parte dessas ações sociais, eu preciso que elas estejam incluídas nos meus custos mensais fixos e quero trabalhar no que é importante para mim.

 

Artur: Olha, eu não sou especialista em finanças, mas eu diria que o perfil de doador do Douglas é mais, digamos, parecido com aquele investidor que aposta todas as suas fichas em um único investimento, mas bem planejado. Já a Lídia gosta de uma carteira mais diversificada. 

 

Roberta: Boa,i Artur…. você não sei se é a melhor pessoa para afirmar isso, mas eu sei quem pode, com toda a propriedade e conhecimento que ela tem. É a querida Júlia Mendonça, influenciadora digital que sabe tudo de economês, de investimento e educação financeira. A Júlia adora ensinar meros mortais como nós a como lidar com o nosso dinheiro, de forma consciente e muito bem planejada e organizada. 

 

Roberta: Júlia, seja bem-vinda ao nosso podcast! Obrigada por aceitar nosso convite!


Júlia: Ai, Roberta! Muito obrigada! Eu que agradeço estar aqui com vocês! É um assunto tão especial!

 

Roberta: Querida, para começar o nosso papo, eu queria que você nos contasse quais são as maiores dificuldades que o brasileiro tem para se planejar financeiramente? A gente precisa partir disso antes de falar de doação. Precisamos organizar as contas! Quais são os nossos maiores problemas? 

 

Júlia: Vixe, vai ter tempo pra falar? (risos) São muitos! Vamos começar do princípio: a gente tem muitos sonhos e desejos, olha para a vizinha que tem um carro novo, olha para o colega de trabalho que tem um celular novo, o filho do nosso colega está com uma roupinha mais legal. A gente quer ter isso, faz parte da vida! Não queremos passar a vida inteira fazendo a mesma coisa, a gente quer crescer e melhorar. Então, a gente tem muita vontade de fazer as coisas, mas é um povo muito imediatista. 

 

Falo isso, porque vejo isso nos investimentos. É muito difícil que você pegue alguém despreparado e que está começando agora e fale assim: “Entendo que vou ter que esperar 10 ou 15 anos para ter a quantia que eu quero para ter uma aposentadoria boa”. A pessoa geralmente quer amanhã: nunca poupei nada, mas amanhã vou juntar 100 reais. Dá para transformar em um salário de 50 mil? Algo assim!

 

Roberta: Uma mistura de imediatismo com pensamento mágico, né?

 

Julia: Muito! Nossa, acontece muito! E, querendo ou não, a gente é impulsionado a milhares de compras diariamente. A gente tem muito aquele receio: aproveita o hoje, é o agora, uma coisa muito histórica. A gente pega a poupança, pessoas que tinham dinheiro e perderam.

 

Roberta: E tem a ver com a instabilidade econômica. Eu sou uma criança dos anos 80, então lembro nitidamente de cair o salário e a gente correr para o supermercado antes que os preços fossem remarcados para fazer a compra do mês. Lembro de estar o moço remarcando na prateleira e minha mãe gritar: “Vai lá, pega antes que ele chegue!” e a gente pegava o que estava com o preço mais baixo.

 

Julia: Também sou dessa época!

 

Roberta: Isso é aproveitar o hoje. Você tem que aproveitar agora porque amanhã pode ser que você não tenha dinheiro. O fato de a gente ser uma economia em que a maioria das pessoas tem trabalhos informais, então não sabe a renda que vai ter amanhã, não dá para esperar do estado um apoio para o mínimo… De fato é difícil sair desse lugar do vender o almoço para pagar a janta.

 

Julia: Muito! Você tocou nesse ponto interessante que também sou dos anos 80 e lembro da gente com as etiquetadoras.

 

Roberta: Era nosso sonho de consumo, uma etiquetadora! Trabalhar de etiquetadora era a profissão que meu irmão queria ter.

 

Julia: Com patins no Carrefour! Muito isso! Imagina como nós, que nascemos nessa geração em que era uma correria, uma loucura e tudo muito caro, tem como esperar que as pessoas vão ter calma e paciência do dia para a noite. Não dá! A gente é inundado de oferta, de desejos, de não-sei-se-amanhã-vou-ter. Então, é melhor gastar o que tenho agora porque amanhã eu corro atrás. Tem um emaranhado, teias e teias que a gente pode discorrer.

 

Isso vem muito de família, também, para mostrar que você está bem sucedido e compra alguma coisa: olha o celular que eu tenho, o carro… Acabei de ser promovido e já troquei de casa! Então, é uma série de coisas que faz com que a gente não tenha um planejamento. Aliado a, antigamente, as pessoas podiam contar com a sua aposentadoria e a gente ainda tem muito essa ideia de que vamos ter uma aposentadoria que vai me sustentar e, hoje em dia, não é mais assim.

 

Roberta: Sim, uma preocupação enorme que ainda não aterrisou na vida das pessoas: como será o futuro e quanto é necessário se programar para o que vem por aí. E quando a gente fala de doação, acho que tem a ver, é algo que acontece em investimentos. É comum a gente ouvir, e até fazer isso mesmo, deixar como a coisa que você faz “se sobrar a gente doa”, “se sobrar, a gente investe”, sem muito compromisso. E, claro, corre um grande risco dela nem acontecer. 

 

A nossa proposta aqui seria pensar numa forma de mudar essa história, firmar um compromisso de doação, lógico, compatível com sua renda, seu estilo de vida, suas necessidades, mas que vire uma linha na planilha de gastos. Primeiro queria que você dissesse se esse é um bom caminho, se é planejar e colocar na lista, e se teria uma sugestão de percentual ou valor de reserva para a doação mensal e como fazer isso de maneira que consiga virar um compromisso e não algo para fazer dia 30, se tiver sobrando na conta.

 

Júlia: É isso, o se sobrar que nunca sobra. Justamente por esse nosso comportamento de gastar: sobrou vintão! Vou economizar? Claro que não! Vou parar na padaria e comprar uma coxinha! Vou comprar alguma coisa! É sempre assim, a gente não tem esse negócio de “vai sobrar”. Não sobra, nunca sobra. Então, a gente tem que fazer o contrário: no começo do mês. Começou o mês, você já retira, porque você vai considerar que não tem mais aquele dinheiro, você já usou. E tenho certeza absoluta que você consegue passar bem o mês sem aquela grana que você tirou ali do começo se tiver um planejamento, claro, não sai tirando qualquer valor.

 

Roberta: Se tiver uma renda, claro! A gente está falando para pessoas que têm o privilégio de ter uma renda estável e condições mínimas de dignidade e vida. É difícil falar disso em um país que tem mais da metade da população em situação de risco de passar fome. Não são dicas para todo mundo, é para quem tem condições de fazer planejamento financeiro e tem, de fato, uma sobra para pensar no futuro.

 

Julia: Até porque quem não tem, a gente até pode comentar. Se você não tem como doar algum valor, você pode doar o seu tempo.

 

Roberta: Sim! Há muitas formas de doar que são valiosas.

 

Julia: Mas, falando em planejamento financeiro, a gente tem que fazer exatamente como faria com um investimento: se paga primeiro. E se pagar primeiro é justamente começar o mês e já tirar, como se fosse pagando uma conta. A doação é a mesma coisa: você tira antes, você está pagando não à você, mas está ajudando, está doando esse valor. Então vai desde o começo do mês, porque não vai sobrar no final. Ou, se sobrar, vai ser muito menos do que você gostaria. Então, já separa uma quantia.

 

Se você está em um momento de formar a sua reserva de emergência, que no caso é o valor que é legal ter ali, uns 6 meses dos seus gastos fixos… Se está construindo a reserva, junta um pouquinho mais para a reserva e faz um pouquinho menos para a doação. Porque senão, daqui a pouco, é você quem vai estar precisando de ajuda. Então, reserva é necessário para você viver e poder escolher o que vai fazer com o seu dinheiro. Quando você estiver um pouquinho mais estável, pode aumentar o seu valor de doação.

 

Por exemplo, no nosso mundo ideal e mágico das finanças, 20% dos nossos ganhos vai para o investimento. Se você conseguir chegar nesse padrão, pega 5% e faz em doação, 15% você investe. E vai fazendo isso. Se você não está nesse percentual de estar economizando 20%, porque, óbvio, é difícil, vai pensando nos investimentos e doação junto. Você não precisa fazer meio a meio, porque, é o que eu sempre falo, você não está sendo malvado pensando mais em si. Não é exatamente isso. A questão é que você vivendo uma vida boa, tranquila, não tendo dívidas, não tendo contas, você consegue ajudar muito mais. Você consegue ter muito mais renda, muito mais dinheiro, principalmente no longo prazo para fazer o que bem entender.

 

A gente vê, inclusive, várias pessoas, filantropos, por exemplo, o Bil Gates. Ele faz doações absurdas, mas, tenho certeza de que quando ele começou a juntar a fortuna dele (claro, não estou dizendo que ele é perfeito, maravilhoso, longe disso) não colocava 50% para doações. Depois de muito tempo juntando, agora ele tem uma soma tão grande que ele não investe, simplesmente faz ações. Ele ajuda, doa muito. Tem isso de pensar que, no futuro, com certeza você vai conseguir ajudar muito mais e muito melhor. Mas, faça desde o começo do mês. Não espere sobrar.

 

Roberta: A gente tem, por dados de pesquisa, como a Pesquisa Doação Brasil 2020, que o valor médio doado por ano é de R$ 617, algo em torno de R$ 51,41 por mês. Para algumas pessoas esse valor não paga nem a pizza do domingo. E pensando na parte prática: se eu quero me propor a doar tanto por mês ou tanto por ano, é melhor juntar para doar — o que pode ser uma possibilidade, porque você doa não só o que você juntou, mas os juros disso, o que cresceu… Como a gente investe a doação? É melhor já fazer de forma recorrente, como muitas ONGs solicitam? É escolher onde vou doar mês a mês? Se eu for guardar para fazer isso render mais, onde é melhor guardar? Na poupança? Agendar o PIX? Fazer outro tipo de investimento? Qual seria um caminho interessante para evitar que esse dinheiro fique dando bobeira e acabe sendo gasto em outra coisa?

 

Júlia: Se a gente esperar juntar, vai gastar. É fato. Porque é aquilo: achei 300 reais aqui, vou gastar! Então, não adianta. A gente não pode esperar, precisa fazer mês a mês. Eu tenho uma ligação muito especial com essa coisa de doação e ONG, porque a minha mãe é diretora de uma ONG inclusiva, que olha para atletas. Então, ela tem muitos cadeirantes, atende muitas crianças com síndrome de down, pessoas amputadas, fazem torneios… É a coisa mais linda do mundo!

 

Fico olhando para o trabalho e para a luta que eles têm e, se alguém chegar para minha mãe e falar: não se preocupa, daqui 5 meses vou te dar dinheiro. Ela fala: “Okay! Meus atletas vão fazer o que até lá?” Então, não tem condição. A gente tem que ajudar  todos os meses. Porque é complicado, a gente tem que olhar para o trabalho da ONG: é difícil, tem contas para pagar, comida para colocar na mesa, várias coisas que precisam de ajuda. Então, com certeza é melhor você doar todos os meses, se comprometer. Não faça boleto, porque é muito fácil não pagar, deixar de lado e escantear: deixa programado na sua conta para ser transferido. Se tiver link de cartão de crédito, hoje em dia tem de tudo, faça algum pagamento recorrente para ter certeza de que seu dinheiro está indo. 

 

Se, por acaso, você falar: “estou doando todos os meses, mas quero juntar uma grana e daqui há um ano quero ter uma grana muito legal e comprar um equipamento que a instituição está precisando” — pode colocar em algum investimento, como um CDB de liquidez diária, um tesouro SELIC, porque são investimentos muito tranquilos, que tem liquidez (o quão rápido você consegue sacar o seu dinheiro) e não vão ter uma oscilação. Então é, como se fosse, vendo os atletas da minha mãe: você chega e fala que vai dar uma cadeira de rodas daqui há um ano (é caro para dedeu aquilo). Você colocou em ações, as ações caíram e você acaba chegando com uma roda só. Não vai dar muito certo, então não pode ter muita oscilação. Então, procurar investimentos calminhos, mais tranquilos.

 

Mas, o ideal, é já ir doando todos os meses. A gente tem que pensar que seria melhor doar uma quantia maior, mas a instituição precisa de ajuda todos os meses. Então, é melhor 51 reais todos os meses do que a promessa de 600 reais no final do ano.

 

Roberta: Exato. Júlia antes do nosso bate-papo, nós ouvimos o relato de dois doadores que separam uma quantia do seu orçamento para a doação, já estão fazendo conforme você ensinou. Um deles doa tudo para uma mesma organização, e a outra gosta de apoiar com menos dinheiro, mas várias iniciativas todo mês. São dois caminhos possíveis, né? A gente pode fazer uma aposta maior em uma ONG que nos toca mais ou, digamos, diversificar a sua carteira de doações. Qual a melhor forma de se organizar, pensando nesses 2 caminhos?

 

Júlia: Vai muito do percentual que você está querendo doar. Por exemplo, se você for doar 10% dos seus ganhos todos os meses, você pode muito bem separar 3% para um, 3% para outro, não vai fechar 10%, mas vamos fechar em 9% para arredondar. Ou, você pode separar em um mês doar mais dinheiro para uma ONG e no outro mais para outra, e assim por diante. Mas é legal tentar manter sempre igualzinho, se você enxerga que quer doar para mais de uma, e acho a coisa mais legal do mundo fazer isso, tentar equivaler. Senão, daqui a pouco você está doando 5 mil reais para uma e 50 para outra. Aí é meio chato, vamos tentar ser justos aqui com as nossas finanças.

 

Roberta: Seguir essa lógica dos investimentos de não botar todos os ovos na mesma cesta, como se fala. É legal diversificar e, às vezes, deixar uma quantia volante, porque tem também as vaquinhas virtuais, Júlia? A Benfeitoria e o Catarse, por exemplo, têm opções de campanhas de doação recorrente, como várias organizações têm. No ano passado, durante a pandemia, houve um aumento no ticket médio de doação em vaquinhas, que gira em torno de R$ 150, mas houve casos de doação única no valor de R$ 1 milhão. Só de captação total, as plataformas de crowdfunding reuniram R$ 84,4 milhões. E às vezes tem outras que passam na sua timeline, nas redes sociais, de vakinhas pedindo doações para pessoas e não organizações. São boas opções para incluir no orçamento? Ter essa flexibilidade para uns extras que surgem?

 

Júlia: Com certeza! O legal é que as ONGs ou onde você for doar o seu dinheiro, tem seus gastos fixos, mas vira e mexe tem algo a mais, algo inesperado. Então, falo muito, pensando muito na ONG em que a minha mãe é diretora: vai surgir um torneio de tênis (que eles jogam em cadeiras de rodas), precisa de uma cadeira de rodas nova. Vai fazer como? Não dá só o valor, eles fazem vakinha, fazem levantamento, fazem várias coisas. Então, é legal ter uma graninha extra, sobrando, para se surgir alguma coisa diferente que não é só os gastos da instituição. Sempre tem uma coisinha a mais, por exemplo, as instituições de animaizinhos. Vira e mexe acontece alguma coisa: castração, remédio… Não são coisas que acontecem todos os meses, mas é legal ir e ajudar, porque tem sempre algo extra que vai acontecer.

 

Como na nossa vida: os meses não são todos iguais, não é estável. Então, vai ter um mês que vai ter um imposto que você tem que pagar, seguro de carro, aconteceu tal coisa… É exatamente assim com as instituições para as quais escolhemos doar: elas tem imprevistos. E acontece de surgir algo diferente, que você não estava esperando, e tocou o seu coração. Doação é muito olhar e se sentir tocado por aquela ação, aquela coisa que está passando na sua frente, aquela situação e querer, sentir muita necessidade de ajudar, pelo menos uma vez naquele ponto específico. Então, é legal sim ter uma grana.

 

Pode, inclusive, tirar dos seus investimentos de liquidez diária. Se você tem um investimento que deixou lá por um objetivo qualquer, como comprar um carro daqui dois anos, não vai fazer mal para você tirar um pedacinho ali, 200 reais, que é o valor da vakinha e ajudar.

 

Roberta: Julia, e a gente fala muito aqui sobre como a doação é um investimento social, uma aposta no futuro que a gente faz nas organizações, na sociedade, nas pessoas. É sem esperar retorno, diferente de investimento, porque a gente não deve doar esperando o imediatismo de algo em troca, mas é com esperança de que esse investimento, doação, recurso, se torne algo maior. Será que dá pra dizer que doar pode ajudar a pessoa a ter uma vida financeira mais saudável? Uma relação melhor com o dinheiro? Sempre lembro daquela frase: tão pobre, tão pobre, que só tinha dinheiro. Será que doar é uma forma de riqueza diferente?

 

Júlia: Não tenho dúvidas em relação a isso. Chego até a me emocionar, porque quando você doa não é só aquele valor, aquele dinheiro, é tempo, carinho, desejo de que aquela coisa vá para frente. Nos investimentos, vejo meu dinheiro mês que vem: rendeu tantos reais, que legal. Mas, com a doação, é diferente. Você vê onde está sendo investido, o que está acontecendo. Se você acompanhar nas redes sociais, ou site, do lugar para quem você está doando, vai ver o trabalho bonito todos os meses e vê que seu dinheiro está fazendo a diferença.

 

Do mesmo jeito que você compra ações e vai em um shopping e pensa que tem ações da loja e como ela está sendo bem cuidada, cheia de clientes, se sente dono e pensa que está ajudando a empresa a crescer; na doação, não é que você se sente dono, mas se sente parte integrante fundamental daquilo. Acho, sinceramente, do fundo do meu coração, que deixa você mais leve, te conecta com um lado humano que, às vezes, você está tão no automático — acorda, vai para um trabalho chato, trabalha o dia inteiro, pega o salário, paga boleto e é só isso. De repente, esse teu lado humano fica um pouco adormecida, e quando você desperta é muito melhor.

 

Às vezes a gente ajuda o outro e a coisa volta três ou quatro vezes a mais para você. Não é só com dinheiro, é com atitude, amor, carinho. Confio muito nisso. Todas as vezes em que estava em uma situação meio apertada e meio ruim, sem saber se podia estar fazendo isso, se podia estar gastando esse dinheiro ou doando essa grana, não teve uma que não passou um ou dois meses e a minha situação voltou muito melhor. Porque me senti muito melhor, muito mais fortalecida. Não é só finanças. Finanças é uma parte da nossa vida, e a gente precisa estar bem para poder viver bem. Quando você doa, está doando muito mais do que só dinheiro. Então, tenho certeza de que ajude muito nas finanças.

 

Roberta: Agora só falta uma coisa para fechar: a nossa rodada relâmpago!

 

Julia: Ui! Tá! (risos)

 

Roberta: É bem simples, vou te fazer 5 perguntas e você responde com a primeira coisa que vier à sua cabeça. Ok?

 

Júlia: Medo! (risos)

 

Roberta: É bem fácil! Vamos lá! Qual foi a sua doação mais recente?

 

Júlia: De mês?

 

Roberta: A última doação em dinheiro que você fez!

 

Julia: A gente está em novembro? Foi em setembro para a ONG da minha mãe. Doou quase sempre cestas básicas, consigo ajudar bastante com alimentação. Mas, foi uma grana para um torneio que estavam precisando fazer e levar a palavra dos alunos da minha mãe. Então, foi em setembro.

 

Roberta: Qual é a sua causa do coração?

 

Júlia: Apesar de mãe, desculpa. É animalzinho! Não posso ver um bichinho na minha vida que já estou, meu deus, dá aqui! É animal, não adianta, tenho uma coisa.

 

Roberta: O que você doa e que não é dinheiro?

 

Júlia: Tempo, adoro doar meu tempo, gosto demais, de verdade! Espaço, também, porque sei o lugar que eu ocupo, sei que tenho uma rede social legal e, quando acho alguma coisa legal, consigo ajudar doando esse espaço. E gosto, óbviamente, de dar raçãozinha, porque os bichinhos são minha vida! Comidinha, remédio.

 

Roberta: Você não está sozinha. Essa causa é muito popular. Cite uma organização ou um projeto que você admira e/ou apoia. Momento para você fazer um merchan social!

 

Júlia: Então, vou falar da minha mãe! Porque é o que mais fico inteirada mesmo, posso falar porque eu vejo e é muito idôneo. É a Universidade Livre do Esporte. Eles pegam pessoas que realmente foram excluídas da sociedade, não são vistas como atletas, às vezes não são vistas como pessoas, vivem de bolsas que não pagam nem o deslocamento. São pessoas que precisam ser incluídas na sociedade: estão vivas, inteligentes, fazem o serviço deles, trabalham certinho e estão querendo buscar seu espaço. Para mim é uma alegria ver campeonato com crianças com Síndrome de Down e que eram extremamente irritadas, não tem convívio, autistas também e conseguiram jogar e se concentrar. É muito bonito e emocionante de ver. Você tira daquele patamar de coitadinho e coloca no lugar de criança, de pessoa, aprontando, fazendo coisas legais. Então, gosto muito. Está sendo minha causa também.

 

Roberta: Colocar o link depois na descrição para mais pessoas poderem doar. Por último, Julia, queria que você fizesse um convite a doar para os seus seguidores, seus clientes na consultoria financeira. Convença-os a doar, por que eles devem doar?

 

Júlia: Sempre aquelas frases meio clichês: uma mão lava a outra, mas é verdade. Quando você doa, você doa muito mais do que dinheiro — como mencionei antes — você doa carinho, afeto, amor, esperança. E isso volta para você de uma maneira ou outra. Então, coloca no teu planejamento, do mesmo jeito que colocou comprar seu novo IPhone 13 Plus Max Top. Coloca doar. Isso vai te voltar muito mais, não vai perder valor, não vai depreciar, só vai crescer cada vez mais e fazer um bem danado! Muito melhor do que você jamais imaginou. Não tem como mensurar o que a doação faz, o que é o ato de doar, mas vejo nas pessoas que doam o quanto isso ajuda. Vejo os dois lados: tanto quem doa quanto quem recebe e é gratificante. Vocês não têm noção do que cada doação representa para as instituições.

 

Às vezes, a gente conversa com outras instituições e eles comemoram cada doação. Às vezes vem um valor de 5 mil reais e ficam “meu deus! olha só!” e é um valor absurdo e que inesperado. E para a gente, às vezes,  é um nada que faz muita diferença na vida do outro. Então, coloquem no planejamento de vocês: não tem condição? Como a Roberta falou, 1%, 2%, não vai matar ninguém e, de verdade, não ia ficar mais rico colocando esse valor no Tesouro SELIC ou nas ações. Então, está aí a oportunidade!

 

Roberta: Muito bom, Julia! Obrigada, querida, volte sempre!

 

Júlia: Eu que agradeço! Quando precisar, quiser, só chamar! Não pode me convidar muito porque gosto de conversar e de falar.

 

Roberta: Adorei!

 

Julia: Também gostei muito!

 

Artur: Muito boa a entrevista! A única coisa que senti falta foi da minha presença, claro! Desculpa, gente, não pude participar da entrevista, mas a Roberta nos representou muito bem, adorei. Agora, voltando à pauta, Roberta está me olhando com uma cara meio feia, fiquei com um pouco de medo. Uma outra maneira de incluir a doação em suas despesas mensais é a compra de  produtos sociais, (agora ela ficou feliz) que tem o objetivo de arrecadar fundos para uma causa e você ainda leva um produtinho maneiro para a sua casa. Chegou a vez de ouvir quem sabe tudo sobre esse assunto a Duda, na nossa coluna Merchan do Bem.

 

Duda: Oi, gente! Eu sou a Duda Schneider e esse é o quadro Merchan do Bem! A indicação de hoje é de uma marca e um projeto pelo qual temos um carinho enorme aqui na MOL. É a campanha #paraquemmestrua da Needs. A Needs se uniu à UNICEF para contribuir com a dignidade menstrual de comunidades vulneráveis de Belém do Pará, entre elas a Vila da Barca. A cada absorvente da marca vendido, parte do valor será destinado para o projeto. O objetivo é garantir que pessoas que menstruam passem por esse momento com dignidade, acesso aos insumos necessários e informações de qualidade. A expectativa é de impactar pelo menos oito escolas, que atendem mais de 1.600 alunos, capacitar 80 gestores e profissionais da educação e entregar 16 novos pontos de água e saneamento para as comunidades de Belém. Uma iniciativa completa que visa combater esse problema tão grande no Brasil que é a pobreza menstrual. Então, da próxima vez que precisar comprar um absorvente, você já sabe qual escolher. Por hoje é isso, pessoal! Espero que tenham gostado e até a próxima!

 

Artur: E aí, Roberta? Você já fez sua doação do mês? Conta para mim qual foi e o que ficou desse papo com a Julia. 

 

Roberta: Olha, Artur, para dizer a verdade, já faço um tanto do que a Julia falou. Costumo reservar 5% da minha renda para as doações. Parte delas estão investidas em doações recorrentes que caem no cartão de crédito mesmo para grandes ONGs que ajudo e mudo a cada ano quais são elas. Varia muito do momento, mas tem: Médicos Sem Fronteiras, GRAACC, Fundação ABRINQ. São várias e ajudo cada uma com uma quantidade pequena, ao invés de ajudar uma só com uma quantidade grande. 

 

E tenho uma parte do meu planejamento que é mais flexível e dou para as causas que estão mais quentes no meu coração no momento. Gosto muito de crowndfundings, da Benfeitoria, do Catarse, do Vooa (que é a vaquinha do Razões para Acreditar) e fico de olho nas coisas que estão acontecendo. Uma parte importante das minhas doações vai para fomentar o jornalismo independente. Gosto de apoiar organizações de informação como a Pública, AzMina, Think Olga, enfim, várias que me inspiram dentro da minha profissão. Como está no cartão, já vem no boleto, sei que todo mês vou ter aquele dinheiro para doar e doou com muito gosto e alegria. E você?

 

Artur: Também faço da mesma forma que você, tenho minhas doações recorrentes, já falei um pouco sobre elas, inclusive tem uma nas redes sociais do Instituto MOL! A gente falou um pouco sobre isso: quem quiser vai lá e veja! Mas também têm outra coisa que é legal que faço, e acho legal dizer, há algum tempo gosto de pagar a mais por quem faz bem trabalhos do dia a dia que nem sempre são valorizados pelo mercado. Por exemplo, o rapaz que corta a grama de vez em quando da nossa casa: uma pessoa muito dedicada, necessitado, gosto muito dele, quando ele vem pago o dobro, voluntairamente. Ele fica muito feliz, é justo, embora o mercado não valorize o trabalho dele, tento valorizar um pouco mais e ele fica bem feliz e grato por isso.

 

Tento fazer isso com algumas outras coisas, e até alguns empreendimentos de pessoas que gosto e são muito dedicadas, tento apoiar. Não só frequentando, mas, por exemplo, na pandemia tinha uma hamburgueria do lado da minha casa de um pessoal que eu conhecia, jovem, muito dedicados, adiantei um dinheiro para eles para não quebrarem na pandemia e, com o tempo, a gente foi se acertando. Foi um trabalho muito importante, eles ficaram muito gratos. Esse é um trabalho não só de filantropia, mas de cidadania também. E que coloco na minha planilha. Ao invés de colocar: x reais no meu custo do jardinheiro, coloco 2x. E está lá e fica bom para todo mundo.

 

Roberta: Acho que vou dar um spoiler aqui. Um dos grandes projetos que o Insituto MOL tem em mente, desde que a gente fundou, e que em 2022 vai ser a nossa principal função: trazer para o Brasil a ideia do Movimento 1%. Um Movimento de compromisso de pessoas físicas e jurídicas para que elas doem 1% do que for: faturamento, lucro de um produto, da sua renda. As pessoas dizem que o alcool é a entrada para drogas mais pesadas, na verdade pequenas doações, micro-doações, são a entrada para esse mundo em que você fica com vontade de doar cada vez mais. Tenho um objetivo na vida que é morrer bem pobre, depois de ter doado tudo o que tiver acumulado até lá. E começar isso com um compromisso pequeno, como doar 1% é um bom começo e bem factível. Olha para o seu planejamento financeiro e me diz se esse 1% vai realmente mudar a sua vida, seja para a pobreza ou para a riqueza. Provavelmente vai mudar muito mais vidas se você doar.

 

Artur: Excelente! É uma iniciativa incrível e boto fé que a gente consegue fazer essa mudança de cultura ao longo de anos. Depende de cada um e quanto mais um se engajar, logo a gente vai ter uma legião. E se a moda pega, o mundo fica melhor.

 

Roberta: Construir uma nação doadora. Essa é a nossa missão!

 

Artur: Exatamente! E quem tiver uma história bacana de doação recorrente, uma dica de como maneja sua planilha financeira em prol da filantropia, tem alguma ideia bacana, aplicativo que usa contaa para a gente, pode mandar lá no nosso Instagram @institutomol ou no nosso perfil do LinkedIn! Um monte de gente vai trocar uma ideia e se inspirar com a sua dica!

 

Roberta: E pra quem já nos acompanha, quer fazer uma sugestão de tema de episódio, quer elogiar ou criticar nosso podcast ou só mandar um alô: escreve pro email contato@institutomol.org.br, ou manda mensagem direta nas redes sociais, nós vamos adorar receber seu recado e vamos responder com carinho! E por hoje é isso pessoal, semana que vem estamos de volta! 

 

Artur: Isso aí! Esse podcast é uma produção do Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior. A produção é da Graziela Lavezo, e o roteiro final e direção é de Vanessa Henriques e Ana Azevedo, do Instituto MOL. As colunas são de Rafaela Carvalho e Duda Schneider, da Editora MOL. A edição de som é do Bicho de Goiaba Podcasts. Até mais!

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