07/03/2022
Transcrição EP #50 — Pets que doam

Artur: Quem aí nunca se encantou com um cãozinho brincalhão ou com as travessuras de um gatinho fofo? Não é mais novidade o quanto os pets fazem parte das nossas vidas, cada vez mais. Tanto que muitos já chamam animais de filho, muito justamente, eu sou um neo-pai de pet e posso dizer que realmente faz muito sentido essa conexão. E, se levarmos em conta os números, tem grandes chances de você ter aí ao seu lado ou mesmo no colo neste exato momento um objeto da nossa fala. Além de companhias essenciais para nossas caminhada, os pets movimentam um mercado bilionário que só faz crescer no Brasil e em todo o mundo. Mas você sabia que, além disso tudo, os animais domésticos podem ajudar a levar conforto e melhor qualidade de vida pra pessoas carentes, vulneráveis, doentes, talvez internadas em hospitais ou asilos? Os animais podem sim fazer trabalho voluntário importante, impactando a vida de muita gente: visitando pessoas idosas, pacientes de hospital, e até grupos de pessoas. E é justo sobre a preparação dos pets para esse trabalho que a veterinária comportamental Katia de Martino, do Instituto Cão Terapeuta, vai falar com a gente hoje. Um papo imperdível, pelo menos para mim que amo esse trabalho.

 

Eu sou Artur Louback

 

Roberta: Eu sou Roberta Faria

 

Artur: E os pets que doam são o tema de hoje no… 

 

Artur e Roberta: Aqui se Faz, Aqui se Doa!

 

Artur: Começa aqui mais um episódio do Aqui se Faz, Aqui se Doa, o seu podcast semanal sobre cultura de doação produzido pelo Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior e divulgação do Infomoney. 

 

Roberta: E, Arthur, enquanto você tava falando, eu ia pensando na importância desse trabalho com pets pra vida de tantas pessoas. A gente mesmo só de olhar pra um bichinho já abre um sorrisão no rosto. Quem nunca parou um dia de trabalho em um momento difícil e deixou uma foto de gatinho fofo, um gif animado de cachorro com sono animar o coração. É impossível resistir!

 

Artur: Acho que bastante gente já ouviu falar ou até já viu o trabalho desses cães voluntários, que é sempre muito emocionante. O que muitos talvez não saibam é que não basta levar o cachorrinho ou gatinho pra fazer uma visita. Tem todo um trabalho enorme, importantíssimo de preparação e treinamento por trás.

 

Roberta: Aliás, tem muita coisa que a gente não sabe desse universo dos animais domésticos, que é enorme e vem ficando cada vez mais complexo. Vou dar algumas informações só pra vocês terem uma ideia da dimensão da coisa. O número mais recente que a gente tem é que existem mais de 139 milhões de pets no Brasil, segundo o Instituto Pet Brasil. E, de acordo com a pesquisa Radar Pet, mais de 37 milhões de lares no país contam com pelo menos um deles. 

 

Artur: Em primeiro lugar na preferência, é claro, vem o melhor amigo do homem e da mulher, o cão. Depois vem crescendo bastante, buscando uma posição mais próxima da liderança, os gatos. E depois aves, peixes, répteis e pequenos mamíferos, o que você quiser ter. 

 

Roberta: Que puder ter!

 

Artur: Mas olha, os felinos estão realmente chegando lá! Como as pessoas têm cada vez um espaço menor de moradia nas grandes cidades, obviamente tem que diminuir porte dos animais e a energia. Porque, realmente, se tiver um igual o Jorginho, meu cão, não dá para um apartamento de 40 m2. Ou você, ou ele. Vizinhos, por exemplo, é impossível de ter. Enfim, a presença dos gatos foi a que mais cresceu nos lares brasileiros desde a pesquisa anterior, lá em 2013. 

 

Roberta: Eu sou uma pessoa dos gatos! E você sabia que os pets não doam só amor e carinho? Cães e gatos, assim como os humanos, também podem doar sangue para outros animais. Para isso, os cachorros devem ter entre um e oito anos, com peso mínimo de 27 quilos, então são cães de porte grande, e os gatos, de um a sete anos, com peso mínimo de quatro quilos. Todos eles passam por exames antes de doar o sangue, que deve ser usado no mesmo dia no atendimento de um animal doente ou que sofreu um acidente. Você pode buscar esse tipo de informação em um hospital veterinário ou na clínica veterinária da sua confiança.

 

Artur: Que bacana, Roberta. E se você quer transformar seu animalzinho num pet terapeuta, saiba que muitos estudos mostram um impacto importante do trabalho com os animais. Em geral, eles ajudam muito em questões como a redução da ansiedade, a motivação, a socialização, a expressão de emoções, a memória e o equilíbrio físico e psíquico, entre outras.

 

Roberta: Uau, quanta coisa! Mas espera que não entendi muito bem. Você empresta o seu bicho? Ou você, em vez de ir no terapeuta, no psiquiatra, no psicólogo, vai visitar um cachorro e ele te ajuda a ser uma pessoa melhor? Como será que isso funciona? A gente está falando sobre intervenção assistida por animais, mas ainda não discutiu muito bem o que ela é nem como funciona. Pois vamos ouvir o nosso dicionário?

 

Rafa Carvalho: Intervenção assistida por animais é qualquer modelo que use os bichinhos para mediar um método de terapia, oferecendo cuidados tanto para melhora da saúde quanto da qualidade de vida ou até a educação das pessoas que são atendidas. E é uma terapia que pode ser aplicada e tem bons resultados em diversos públicos. Vão desde crianças até idosos, que também podem ser pacientes hospitalares ou sofrer com algum tipo de doença, distúrbio ou deficiência, seja físico ou psicológico.

 

Os impactos positivos dessa técnica já vêm sendo comprovados há algumas décadas por estudos do mundo todo. Mas, pra participar, não é só levar seu pet não. Antes, ele precisa passar por um treinamento com critérios rígidos de comportamento. E, durante a terapia, que pode ser individual ou em grupo, ele deve ser conduzido por um voluntário ou tutor. Em geral, o que acontece é que muita gente em situação de vulnerabilidade reconhece nos bichinhos seres que também são muito vulneráveis. Aí elas se identificam e conseguem se expressar melhor com eles. Essa aproximação inclusive pode ajudar a criar vínculos com outras pessoas, se existir uma dificuldade de socializar. Mas olha só, esse é um método complementar de terapia. Sozinha, vale dizer que apesar de ser tão prazerosa, essa relação com o bichinho não costuma ser suficiente como terapia, e muito menos como cura.

 

O mais legal, pelo menos, é que não tem essa de melhor espécie ou raça. Apesar de cães e gatos, é claro, serem os mais comuns, não existem barreiras. Basta que o animal seja carinhoso e tenha passado pelo treinamento e os testes necessários. Então, se quiser fazer do seu cavalo, ovelha ou pássaro um pet terapeuta, não se sinta acanhado. Tem espaço pra todo mundo! Eu sou Rafaela Carvalho, e toda semana eu ajudo você a entender um termo importante para a cultura de doação. Até a próxima!

 

Roberta: Oba! Lá veio a Rafa mais uma vez trazendo a informação detalhada e apurada! E dessa vez não é que ela virou especialista em pets?

 

Artur: Olha, Roberta, fiquei impressionado em como esse contato com os animais pode ser importante para tanta gente. Inclusive imagino que quem tem um pet e se interessou por essa atividade já tá começando a ficar interessado ou interessada pra perguntar qual o caminho pra treinar o seu bichinho para ter isso em casa. Para isso, a melhor coisa é ouvir quem trabalha com esses pets todos os dias. Temos uma entrevista muito elucidativa nesse sentido.

 

Roberta: Nossa, sem dúvida! Fico olhando para o nosso cachorro, o famoso Jorginho, e me perguntando como ele poderia se tornar um cão terapeuta, doador. Porque, atualmente, ele só dá prejuízo, não doa nada. Bom, mas desta vez, nossa produção conversou com a Silvana Fedeli Prado, que é psicanalista e fundadora da ONG Patas Therapeutas, de São Paulo. Por lá, eles trabalham preparando os bichinhos para fazer terapia e educação assistida por animais em hospitais, casas de idosos e abrigos para crianças. Silvana, conta pra gente como é esse trabalho?

 

Silvana: A ONG Patas Therapeutas é uma associação sem fins lucrativos que atua com intervenções assistidas por animais nas áreas de atividade, terapia e educação assistidas por animais. Leva animais em hospitais, residências de idosos, abrigos de crianças, na Polícia Militar, em empresas e eventos. Nossa missão é oferecer o benefício dos efeitos da convivência com os animais, trazendo resultados cientificamente comprovados para a saúde física, emocional, mental e social das pessoas, com diversas patologias ou não.

 

Artur: Que legal, Silvana, trabalho incrível! Só queria aproveitar para fazer um adendo, que o Jorginho traz muitas coisas boas para mim, sou muito feliz com ele e foi difamado e tem direito de resposta. A gente também perguntou para Silvana como funciona a escolha e o treinamento dos voluntários que atuam ao lado dos pets. Vamos ouvir o que ela respondeu.

 

Silvana: Nossos voluntários são pessoas com e sem animal que passam por uma palestra inicial, onde aprendem o que é a ONG, o que nós fazemos, nossos protocolos, nossas regras. Depois disso, ela faz três visitas obrigatórias nas instituições em que nós trabalhamos e, enquanto isso, se ela tem animal, ele passa por um processo todo de avaliação de comportamento e de saúde. E depois, quando ambos estiverem prontos, eles começam a trabalhar.

 

Roberta: É impressionante saber de tudo isso. E tem aí uma carga de responsabilidade grande não só com os pacientes dessa terapia, mas também com os bichinhos. Eles têm que ser muito bem tratados e não podem ser submetidos a um trabalho que seja exaustivo ou perigoso, é claro. Imagino que isso fique totalmente por conta da instituição e dos voluntários.

 

Artur: Olha, Roberta, essa conversa esclareceu muitas dúvidas que eu tinha, mas não é que acabaram surgindo várias outras a partir dessas? Imagino também que, para esclarecer, seja só conversando com quem tá diretamente atuando pelo treinamento deles.

 

Roberta: Artur, pelo visto você já tá preparando o terreno pra chamar aqui a nossa convidada de hoje, que com certeza tem essas credenciais. Tô falando da Katia de Martino. Ela é veterinária especialista em comportamento animal, e também é cofundadora e trabalha com pets na ONG Instituto Cão Terapeuta.

 

Artur: Katia, seja muito bem-vinda ao nosso podcast! Obrigada por aceitar nosso convite!

 

Katia: Obrigada, Artur! É um prazer falar com vocês!

 

Artur: Bom, Katia, como sempre, a gente gosta de pedir para os convidados e convidadas começarem contando sobre o seu trabalho, no seu caso, queria que contasse um pouco como você se envolveu com essa causa, com a intervenção assistida por animais e como foi o estabelecimento do Instituto Cão Terapeuta?

 

Katia: Acho que eu, a Tati, a Nayla e a Ane trabalhava em uma empresa que tinha esse trabalho do cão terapeuta, mas estava meio latente. Ninguém estava mexendo nele. De repente, a Tatiane falou: “gente, gostaria de começar a trabalhar com isso. Quem vai?” aí, elas me chamaram por eu ser veterinária, e elas precisariam para esse trabalho, até por questão dos animais, trabalhar na parte da saúde.

 

A gente acabou pegando como projeto, ele começou a ganhar mais corpo e hoje a gente tem o Instituto Cão Terapeuta. A gente saiu de um projeto e viramos ONG.

 

Roberta: A gente já chegou a mencionar aqui no episódio de hoje as regras e condutas que precisam ser seguidas nesse período de treinamento. Como é esse seu trabalho junto com os pets e quais os principais passos, desafios, surpresas que você encontra no cotidiano com eles? Demora muito essa formação? Como funciona?

 

Katia: Os cães não são formados, precisam ter aptidão. São cães de voluntários, por exemplo, de quem trabalha no projeto Cão Terapeuta. E a gente acaba fazendo uma avaliação de todo mundo. Claro que a gente abre isso pro público. O cachorro precisa ter algumas aptidões, entre elas, ser um cão muito sociável que gosta de afeto. O que as pessoas geralmente falam:”Meu cachorro adora pessoas”, mas, de repente, esse cachorro não é tão bom para o trabalho. Então, a gente faz um processo de seleção desses cães. Esses cachorros precisam ser realmente muito sociáveis, gostem de ganhar carinho das pessoas, tanto de dentro quanto de fora de casa. Precisam ser cães muito equilibrados, no sentido de não podem não gostar de outros cães, não podem ter nenhum tipo de reatividade, de medo, e aí que faz toda essa parte de avaliação desses cães.

 

A gente tem a parte de avaliação comportamental, a avaliação dos tutores que, no caso, são três psicólogas de formação e eu de veterinária. E faço a parte da saúde também desses cães. A partir do momento que todos passaram, a gente faz três visitas com esse cão em observação para ver se ele está realmente apto ou não a fazer esse trabalho. E tudo, a gente preza muito pelo bem estar dos nossos animais. Às vezes, a gente pensa no caso das pessoas, dos assistidos gostarem do trabalho, mas os cães precisam gostar também. Então, é uma visão que nós temos no Cão Terapeuta. Durante a visita, sempre tem um profissional técnico para trabalhar com aquele cão, para ver se aquele cão está confortável ou não naquele ambiente. Isso é muito importante, a gente preza muito por isso.

 

Artur: Kátia, uma curiosidade que a gente estava se perguntando aqui. O Instituto Cão Terapeuta trabalha com cães, como o nome já diz. Mas existe trabalho semelhante com outros animais? Com gato ou com cavalo? Você já conheceu alguma assim? Conhece alguém que trabalha especificamente com outro tipo de espécie?

 

Katia: Sim, existem várias ONGs! Inclusive, tinha uma ONG que trabalhava com escargot.

 

Artur: Uau!

 

Katia: Já vi trabalhando com lhama, com outras espécies. Nós trabalhamos somente com cães, até porque a gente precisa pensar muito na zoonose. Eu, como veterinária, tenho uma função muito importante nesse sentido: preciso levar os cães sadios para dentro dos hospitais e demais lugares. Quando a gente pensa em zoonose, pensa só no que os nosso cães podem levar para os assistidos, mas, na verdade, é o que os assistidos podem levar para nós, humanos e condutores e para os nossos cães. A zoonose é bilateral. A gente saber os sinais de desconforto desses cães, precisa trabalhar muito com cães nesse sentido. Porque a gente conhece a zoonose que um cão pode passar ou pegar e os sinais desse cão, se ele está bem ou não e como a gente afeta o bem estar ou não desses cães. 

 

Se tratando de outros animais, eu, Kátia, não tenho como te falar o que é melhor para aquele tipo de animal fazendo esse trabalho.

 

Roberta: Kátia, queria saber como é a rotina de um cão terapeuta, desse cão voluntário e doador. Quantas vezes por semana ele trabalha nesse voluntariado? Como é a rotina de visitas? Que tipo de lugar ele vai? São sempre as mesmas pessoas ou ele visita cada vez pessoas diferentes? Conta um pouquinho para a gente de como funciona.

 

Kátia: A gente tem uma demanda muito grande dos hospitais, trabalha em asilos, creches… Uma abrangência muito grande. Esses cães, prezando pelo bem estar deles, não fazem mais do que uma visita por semana. Geralmente a visita gira em torno de a cada 15 dias, uma vez por mês, uma vez na semana é o máximo, mas são poucos cães que acabam tendo essa energia para fazer. A gente tem visitas marcadas, existem vários grupos de várias instituições e hospitais. São pequenos grupos que estão lá, a gente marca visita para o ano inteiro.

 

Esses cães tem que tomar banho um dia antes da visita. Chega na visita e precisa fazer toda uma higiene para entrar no hospital ou no lugar. Dependendo do lugar, são as mesmas pessoas ou não. Os hospitais têm uma rotatividade muito alta, então é difícil o cão acabar vendo a mesma pessoa sempre. Mas foi engraçado que tenho uns relatos muito legais que eu conduzia um golden, que era meu aluno, e a primeira visita que ele fez foi com uma menina em um hospital e, de repente, essa menina ficou internada novamente e ela lembrou dele depois de muito tempo. Isso é muito gratificante, muito legal!

 

Roberta: É muito marcante! Com certeza!

 

Kátia: Muito legal, eu adoro isso!

 

Roberta: E as visitas são curtas? Passa um pouquinho em cada quarto? Como funciona?

 

Kátia: As visitas duram em torno de 45 minutos e depende muito do lugar. A gente sempre pede, por exemplo, em hospitais, se as crianças podem ir para a brinquedoteca, até para a gente diminuir o deslocamento desse cão e ele ter mais tempo de contato com aquelas crianças. Mas existe crianças que não podem sair do quarto, não só crianças, mas adultos e a gente vai até o quarto sim.

 

Inclusive, teve uma vez que foi totalmente histórico, foi muito legal um trabalho que a gente fez dentro de uma UTI. Os cachorros foram dentro da UTI do Instituto da Criança no Hospital das Clínicas. Foi bem legal!

 

Artur: Katia, e esse é um setor em que o voluntariado é importantíssimo! Acontece uma doação não financeira muito fundamental do tempo, dos cuidadores, dos próprios animais, do espaço onde esses animais vivem… As pessoas que são donas dos animais se dispõe a participar como voluntários muito dedicados nessas ações. Obviamente que tem algumas pessoas envolvidas que, imagino, sejam remuneradas pelo trabalho, nas visitas, de uma forma geral, tem uma base voluntária fundamental para o funcionamento do Instituto. Queria que você contasse um pouco sobre isso.

 

Kátia: Sem dúvidas, se não houvesse voluntários muito empenhados, nada disso a gente conseguiria. Hoje, a ONG gira em torno de 30-35 cães, sendo que 90% são cães de voluntariado. E os voluntários ficam muito empenhados, e isso é muito legal. É aquela coisa: a gente dá alegria, faz uma coisa boa, mas o melhor retorno é o que a gente tem com tudo isso. Pelo menos eu saio muito feliz do trabalho que eu fiz, é muito gratificante. 

 

Roberta: E como é a reação dos pacientes e das pessoas visitadas nos asilos? Como eles recebem? Imagino que deva ser uma festa chegar, de repente, um cachorro fofinho e que adora receber abraços. Como é a rotina deles? Pessoal tenta burlar regras para dar biscoito, quer fazer brincadeira? Como é isso? E os efeitos depois, à longo prazo.

 

Kátia: A maioria do nosso trabalho é pela atividade assistida por animais. Então, existe o termo que é intervenção assistida por animais, que é voltada para três partes: terapia assistida por animais, atividade assistida por animais e educação assistida por animais. A maioria do tempo, a gente faz atividade assistida por animais. O que é isso? Atividades lúdicas. Então, o cão está lá para ser acariciado, fazer truquezinho, as pessoas beijarem, abraçarem… Essa atividade que deixa as pessoas mais felizes.

 

Roberta: Sim, com certeza!

 

Kátia: Saindo da terapia propriamente dita, a gente faz esse tipo de trabalho. Claro, jogar uma bolinha, escovar o cão, pedir para ele sentar, deitar. Ontem foi engraçado! Ontem não, desculpa, segunda-feira foi engraçado porque a gente agora ainda está fazendo visitas online e eu sou uma das voluntárias que faz visita online no hospital das clínicas. Eu pensava que não existiria interação entre o cão e o assistido através de uma tela, só que, pelas minhas cachorras serem adestradas… Falei para uma menina: “ela vai fazer remoto, você vai pedir para ela morrer remotamente, tudo bem? Você dá um tiro para ela?” A menina deu um tiro, claro que dei um tiro aqui atrás e minha cachorra morreu. E ela ficou super feliz! Pedir para cumprimentar, para fazer as coisas, remotamente.

 

Roberta: É como receber a ligação de uma pessoa querida!

 

Kátia: Ela ficou alucinada, porque conseguiu ter interação com o cão, mesmo que de frente para uma tela. Imagina isso presencialmente. Então, é muito legal! Todos os cães são adestrados, então a gente passa algumas coisas para os assistidos e os cães fazem e isso fica muito gostoso. É muito legal!

 

Roberta: Katia, acho que falo por nós dois ao dizer o quanto esse trabalho que vocês fazem com é importante e inspirador e impacta a vida de tantas pessoas e bichos. Te agradeço demais pela nossa conversa de hoje. 

 

Kátia: Imagina, gente! Obrigada, Roberta e Artur, por esse trabalho de vocês também, que vocês acreditaram no Instituto Cão Terapeuta, e agradeço muito a participação desse podcast!

 

Artur: Que legal! Mas não acabou ainda, Kátia, agora a gente vai passar para a parte mais fácil que é a rodada relâmpago, em que a gente vai fazer algumas perguntas para você no melhor estilo Marília Gabriela, bate pronto, você responde com a primeira coisa que vier a cabeça e vai ser fácil! Para alguém que atua de forma tão decisiva vai ser moleza! Vamos lá?

 

Kátia: Vamos lá!

 

Artur: Qual foi a sua doação pessoal mais recente?

 

Katia: Segunda-feira passada!

 

Roberta: Conta um pouquinho!

 

Kátia: Exatamente o que eu contei: dessa menina. Foi na segunda que aconteceu a visita virtual que a gente acabou fazendo e pedi para a menina fazer virtualmente o comando de morto para a minha cachorra e quando a minha cachorra morreu, ela ficou completamente feliz e alucinada!

Roberta: Morreu de mentirinha!

 

Kátia: Isso, de mentirinha, claro. Mas eu fala: “Você vai pedir para a Mexerica morrer. Mexerica morre.” Aí ela falava: Mexerica morre, eu dava um tiro, a Mexerica morria. Mexerica rola. Mexerica rolava. Ela ficou muito feliz.

 

Roberta: Que massa! E qual é a sua causa do coração hoje? Claro que são os bichos, mas tem alguma outra?

 

Katia: Olha, essa é a mais difícil! Acho que são tantas! Mas tenho um lema, sou veterinária por formação, então os animais para mim são a melhor coisa que existe. Acho que o amor incondicional deles não existe. O meu lema é servir bem aos animais para servir sempre. 

 

Artur: Excelente! E no seu caso, essa próxima pergunta é moleza: o que você doa e que não é dinheiro?

 

Katia: Tempo!

 

Roberta: E cachorros, né? Quantos têm treinados?

 

Kátia: Hoje, eu tenho três filhos, porque meus bichos são meus filhos. Tenho uma jack russell de quatro anos; a Lichia que é a minha co-terapeuta, ela que vai comigo nas sessões, que é uma buldogue francesa; e um filhinho de pandemia, que adotei um gatinho. Então, é a Mexerica, a Lichia e o Caju. Aqui é tudo fruta. 

 

Roberta: Muito bom! Eu tive um Manga também.

 

Kátia: Legal! E, se tiver o próximo, vai ser Goiaba!

 

Roberta: Muito bom! Agora, conta uma organização ou um projeto, além do seu, que você admira e/ou apoia:

 

Katia: Ah, gente… O Instituto MOL!

 

Roberta: Nossa, obrigada!

 

Kátia: Vocês nos apoiam e por que seria diferente?

 

Artur: Muito bom! Kátia, queria que você contasse um pouco como você faz para convencer pessoas a doar? No caso de vocês, até mais tempo, ou se voluntariar. Aqui é o momento, a dica do argumento vencedor. Qual é o seu?

 

Katia: Eu acho que pela pessoa já ter um cão, tem um coração diferente. E o fato do seu parceiro de vida, seu companheiro canino poder fazer um trabalho em conjunto é muito fácil. As pessoas querem que o cachorro seja sociável, realizado, que as pessoas façam carinho… Então, não é difícil gente!

 

Roberta: É isso, Katia, você foi muito rápida, muito certeira! Muito obrigada, você tá sempre convidada a voltar. Adoramos te conhecer e saber dessas histórias! Tenho certeza de que todo mundo vai sair daqui querendo matricular seus cães para serem voluntários também. Foi muito legal, obrigada querida!

 

Artur: Obrigado, Kátia! E conte com a gente sempre, para mim é um prazer, sempre que puder apoiar vocês!

 

Katia: Muito obrigada por esse convite e estou pronta para uma próxima! Podem me chamar!

 

Roberta: Artur, tava pensando aqui. Muitas vezes você compra um brinquedinho pro Jorginho só com a ideia de deixar ele mais feliz. Mas, se for como um dos produtos que a Duda Schneider vai trazer pra gente hoje, pode ser que coloque um sorriso no rosto de outros pets e outras pessoas. Vamos ouvir?

 

Duda: Oi, gente! Eu sou a Duda Schneider e esse é o quadro Merchan do Bem! Já que o tema de hoje são pets que doam, não tem como não falar dos produtos sociais da Petz, o maior petshop do Brasil. Me perdoem pelo jaba, mas o projeto é especial demais para não ser falado. Desde 2017, a Petz vende nos caixas de todas as suas lojas, produtos sociais produzidos em parceria com a MOL. Os produtos são lindos, acessíveis (apenas 8,90), claro, você tem parte desse valor revertido para organizações sociais e trazem muita diversão e conteúdo. A cada mais ou menos três meses, um novo produto chega nas lojas e você pode sair de lá com presentes não só para o seu pet, mas também para você e sua família. 

 

Agora em janeiro, se você correr para uma Petz, encontra o nosso calendário de parede de 2022. Mas é um sucesso tão grande, que corre o risco de já ter esgotado quando esse podcast for ao ar. Bom, incentivando a venda desses produtos, já são mais de 2 milhões de reais doados para as ONGs de protetores de animais beneficiados pelo Adote Petz, o projeto social da Petz que já ajudou mais de 56 mil pets a encontrarem um lar. Por hoje é isso pessoal! Espero que tenham gostado e até a próxima!

 

Roberta: Arthur, essas conversas de hoje foram muito inspiradoras! Fiquei pensando em momentos da minha vida, da nossa, da minha família, em que as pessoas estiveram internadas em hospital. Ou quando meus avós estavam bem velhinhos, solitários… Como teria feito diferença ter recebido a visita de um cão terapeuta, um gato terapeuta, uma lhama terapeuta. E também, uma coisa que a gente sempre escuta de que é bom adotar um pet, porque ele te faz bem emocionalmente e é uma motivação para praticar exercício físico, já que, se for um cachorro, vai te obrigar a sair de casa para levar para passear. Quem sabe adotar um pet não seja uma motivação também para você fazer aquele trabalho voluntário que tem adiado, sempre quis fazer e não fez ainda! Quem sabe com a companhia do seu melhor amigo, você se sinta mais incentivado a começar um jeito diferente de se doar!

 

Artur: Muito legal! Esse programa, vou dizer, pessoalmente me tocou muito. Acho que por causa de duas razões, nesse ano. Porque eu nunca fui uma figura de pets, inclusive sempre fui um partidário de que os animais deveriam ficar livres na natureza e que a gente não tinha direito a ter propriedade dos animais. Acabei entendendo, principalmente por causa do projeto que a gente faz junto com a Petz, em que a gente beneficia muitas ONGs do setor animal, fui entendendo que a questão era um pouco diferente. Ao mesmo tempo, nesse ano, me abri a ter um cão e a gente beneficiou e reconhecemos a fundo o trabalho de muitas organizações que atuam não só com terapia assistida, mas com o acolhimento de animais que estão em situação de rua. E virei um grande defensor da causa e tenho atuado com muito afinco e emoção nesses projetos. 

 

E vou dizer que o Jorginho me faz muito bem! Ele é um cachorro muito cheio de energia, mas tem me ajudado muito a lidar com minha ansiedade. Ele combina muito com o meu espírito, a gente corre junto. Toda manhã, eu acordo e a gente tem uma relação ali, é o primeiro ser que encontro quando acordo, costumo acordar antes de todo mundo. E é muito interessante se relacionar com um ser de outra espécie, que está mais próximo da natureza do que a gente. Então, recomendo muito essa relação e, claro, a atividade dos animais como um instrumento social de impacto para levar mais felicidade para a vida das pessoas. É um trabalho muito sério e que gera resultados incríveis e inesperados.

 

Roberta: E de inspiração, né? Quem é dono de pet sabe que se tem uma coisa que a gente pode aprender com os animais é o quanto eles são generosos e solidários. Eles se solidarizam quando a gente não está bem, não exitam em nos dar atenção e carinho. Então, se a gente está falando de praticar mais cultura de doação no dia a dia, essa pode ser uma grande inspiração. Quem tiver uma história bacana sobre o trabalho com pets terapeutas, pets voluntários, também pode ficar à vontade pra mandar lá no nosso Instagram @institutomol ou no nosso perfil do LinkedIn! Aliás, você siga a gente, por favor! Tem muita coisa legal rolando por lá!

 

Artur: E pra quem já nos acompanha, quer fazer uma sugestão de tema, contar uma história, elogiar ou criticar nosso podcast ou só mandar um alô: escreve pro email contato@institutomol.org.br, nós vamos adorar receber seu recado e pode ter certeza de que vamos responder! Pode demorar um pouquinho, mas até hoje não deixamos nenhum email sem resposta!

 

Roberta: E por hoje é isso pessoal, semana que vem estamos de volta! Esse podcast é uma produção do Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior. A produção é de Leonardo Neiva, e o roteiro final e direção é de Vanessa Henriques e Ana Azevedo, do Instituto MOL. As colunas são de Rafaela Carvalho e Duda Schneider, da Editora MOL. A edição de som é do Bicho de Goiaba Podcasts. Até a próxima!

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