07/03/2022
Transcrição EP #55 — Clique para doar: botões de doação em apps

Roberta: Os aplicativos de celular facilitam muito a nossa vida: dá para pedir comida, pagar contas, ouvir música, ver vídeos, falar com todo mundo… enfim, uma infinidade de funções e possibilidades, tudo a um clique de distância. São ferramentas que estão na palma da mão e atingem milhões de pessoas simultaneamente. Agora imagina colocar um botão ou uma funcionalidade que permite doações dentro desses aplicativos ultra-populares. Imaginou? Pois é, esse pode ser o próximo grande salto da filantropia, quando a gente fala de doações individuais. A doação na boca do caixa repaginada pela tecnologia. Vamos conversar com a Láislla de Gouveia, coordenadora de projetos socioambientais do iFood — que é um dos aplicativos que prevê a doação na hora que você fecha um pedido. E um spoiler: isso já está fazendo centenas de milhares de pessoas doarem e já arrecadou milhões de reais — e pode fazer muito mais!

 

Eu sou Roberta Faria

 

Artur: Eu sou Artur Louback

 

Roberta: E clicar para doar em botões de aplicativos é o tema de hoje no… 

 

Artur e Roberta: Aqui se Faz, Aqui se Doa!

 

Artur: Está começando mais um Aqui se Faz, Aqui se Doa, o seu podcast semanal sobre cultura de doação produzido pelo Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior, da Morro do Conselho Participações e da Ambev, além da divulgação do Infomoney. 

 

E o assunto de hoje é doação nos aplicativos de serviços. Será que vale a pena, Roberta? Tanto para quem doa como para a instituição parceira?

 

Roberta: Artur, eu acredito que toda forma de doação vale a pena. Também como doadora, posso dizer que já usei muito esses botões e eles realmente tornam doar algo muito fácil, cotidiano. Ainda mais nesses momentos de crise tão aguda como a que ainda vivemos hoje e o excesso de ofertas e informações. É uma maneira de captar a atenção do doador diferente! E os aplicativos foram uma forma eficaz de  arrecadar fundos durante a pandemia, ainda mais se levarmos em consideração que os eventos presenciais estavam suspensos e essa foi a única opção para muitas organizações conseguirem suas doações. A gente até falou um pouco sobre isso no episódio 22, da primeira temporada. 

 

Artur: É muito bacana mesmo essa possibilidade de doar pelo aplicativo, tem tudo a ver com a nossa rotina conectada e leva a prática da doação para um outro patamar — de entrar na rotina, na vida das pessoas mesmo. Só que exatamente por significar um caminho diferente de você entrar no site da organização e doar, é preciso muita transparência e investimento em prestação de contas, né, Roberta?

  

Roberta: Sim, esse é um ponto muito importante! A questão da transparência. E não só da transparência, mas da comunicação como um todo: a maneira como a gente convida as pessoas a doar, como comunica sobre as causas, como apresenta os projetos sociais e depois como presta contas ao doador mostrando o impacto que a doação dele teve. Vamos chamar a Rafa para ela contar um pouco sobre como a prestação de contas para o doador é importante e levada muito a sério pelo terceiro setor.  Bem-vinda Rafa!

 

Rafa Carvalho: Oi gente, eu sei que a palavra de hoje não é desconhecida para ninguém, mas ela é um assunto muito sério: transparência. E é um assunto sério, porque a gente está falando do dinheiro que outra pessoa entregou para uma organização com o objetivo de ajudar uma causa, mas também por causa da confiança que esse ato envolve.

 

Confiar em alguém é um dos maiores valores morais da nossa sociedade. Você sabia, por exemplo, que, de acordo com a Pesquisa Doação Brasil 2020, 89% dos brasileiros não fizeram nenhuma doação nos últimos cinco anos? E que para 31% deles — ou seja, bastante gente — o motivo principal é a falta de confiança nas OSCs? Por isso, entre outros motivos, a prestação de contas é tão importante. 

 

E ela tem que ser burocrática, a gente precisa parar de falar sobre burocracia como se fosse algo ruim: por meio de documentos contábeis, de divulgação das fontes de arrecadação e da destinação dos recursos. Muitas ONGs fazem isso por meio de seus sites, de seus relatórios anuais ou balancetes. E para isso, é preciso ter um profissional que entenda os trâmites. Geralmente, ele é o contador. Até parece coisa de gente grande, né? Porque é! Doação e transparência são coisas sérias e que andam de mãos dadas. Eu sou a Rafaela Carvalho e toda semana eu ajudo a desvendar um termo importante para a cultura e doação. Até mais!

 

Roberta: Quanta gente que ainda não faz uma doação no Brasil, né, Artur? Temos um logo caminho aí de conscientização para ter uma maioria da população doadora. E, com certeza, usar os aplicativos é uma excelente maneira de aumentar esses números! Afinal, quem é que não tem um aplicativo desses ou usa um aplicativo desses no celular? A gente tem muita gente conectada. 

 

Artur: A gente que atua há algum tempo provendo maneiras de doar para as pessoas no seu dia a dia, sabemos que o que mais estimula as pessoas a doar — além da credibilidade da organização que está recebendo o dinheiro — é comunicar o impacto devidamente. (então, ela sabe onde o seu dinheiro foi parar), e talvez mais ainda a facilidade com que ela faz a operação. Quando você coloca essa possibilidade dentro do cotidiano — inverte o sentido: ao invés de esperar que a pessoa vá até a organização para doar, você vê o que ela já faz cotidianamente e entra no hábito dela, a tendência é aumentar muito a conversão! Ou, ter mais gente fazendo isso!

 

Roberta: Com certeza, Artur! E uma organização que utiliza esse método de arrecadação é a Orgânico Solidário. Ela é responsável por levar alimentos frescos e orgânicos para milhares de famílias de São Paulo, Rio De Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O Aziz Camali, co-fundador da instituição, contou para nós que participou da criação do botão de doação do iFood e da importância da ferramenta para as atividades da Orgânico.               

                         

Douglas: O grande desafio da Orgânico Solidário é que a gente não trabalha com doações pontuais, a gente trabalha com doações recorrentes, a gente garante a alimentação de mais de cinco mil famílias através de pessoas físicas, empresas e institutos que fazem esse trabalho, esse movimento, de forma recorrente. Essa doação é maravilhosa para a gente pensar em como manter essas comunidades alimentadas, mas principalmente para pensarmos em planos de expansão para o Nordeste e outros estados. O iFood está com a gente e a gente está com o iFood para somar esforços.

 

Artur: Roberta, agora eu fiquei curioso, e imagino que os ouvintes e as ouvintes também… Como é que funciona, afinal de contas, esse tal de botão de doar nos aplicativos? Esse do IFood, principalmente.

 

Roberta: Bom, Artur, cada aplicativo tem o seu jeito. Não sei se vocês já tiveram essa experiência, mas eu já doei no Pão de Açúcar, no Mercado Livre, no Mercado Pago, no PicPay e o do IFood virou essa grande onda dentro do setor, porque, de fato, colocou no fechamento do carrinho. Começou de outro jeito, você doava cestas, e agora está bem mais fácil: em qualquer pedido você pode fazer uma doação. Mas para saber mais sobre isso, a gente convidou quem está por trás desse projeto, que é a Láislla de Gouveia, coordenadora de projetos socioambientais do iFood, e também uma mebra do Movimento por Uma Cultura de Doação, que veio nos contar como é a experiência deles. E quem fez essa entrevista foi a nossa produtora Vanessa Henriques! Agora a gente vai ouvir essa conversa!

 

Artur: Muito legal! Antes da gente ir para a entrevista, dois comentários rapidinhos: essa entrevista foi gravada em 2021, então pode ser que alguns dados não estejam totalmente atualizados. Então, se você quiser saber os números exatos de hoje, a gente colocou na descrição do episódio os dados fresquinhos. E outro é que, já que estamos falando de transparência também, devo dizer que, embora tenha falado aqui antes que não conheço o botão, na verdade o conheço bem porque estou trabalhando com o IFood pela MOL Consultoria fazendo toda essa parte de comunicação da prestação de contas e fez todo o apanhado dos números. Estou muito feliz de participar desse processo!

 

Inclusive, convido vocês a entrar no aplicativo e, se tiverem críticas, podem mandar até no e-mail aqui do podcast mesmo que vou adorar! A gente está ali para aperfeiçoar a ferramenta e dar mais transparência e melhorar o serviço: contato@institutomol.org.br

 

Vanessa: Láislla, seja bem-vinda ao nosso podcast! Obrigada por aceitar nosso convite!


Láislla: Oi, Vanessa! Tudo bem? Eu que agradeço! É um grande prazer estar aqui compartilhando esse espaço com vocês! Muito obrigada pelo convite! 

 

Vanessa: Imagina! O prazer é nosso! Para começar: queria que você contasse um pouco dessa história! Quando vocês decidiram criar um botão dentro do iFood? Como ele funciona? Conta para os nossos ouvintes como foi esse processo.

 

Láislla: As discussões começaram durante 2019, sobre esse tema, junto com as discussões de como seria a estratégia do IFood para sustentabilidade. Ali a gente identificou — até foi a Consultoria Cause que nos apoiou nesse momento — algumas frentes de atuação para sustentabilidade do IFood. Uma delas foi a doação de refeições: na época a gente estava fazendo uma média de 20 milhões de pedidos por mês e ficou muito claro para a gente que fazia muito sentido o IFood levar refeições para pessoas em maior vulnerabilidade. Então, a doação no IFood nasceu junto com essa coisa nossa da causa do combate à insegurança alimentar.

 

No comecinho de 2020, nasceu de fato o ambiente de doação do app e ele foi pensado com dois princípios: que fosse simples, rápido e ágil da pessoa doar. Conversando com o pessoal do Movimento por Uma Cultura de Doação, endereça muito uma das diretrizes que é fornecer a experiência do ato de doar. Essa foi uma graça do nosso ambiente de doação. E também que ele fosse transparente. Para isso, a gente conversou com pessoas do setor, com ONGs, para entender quais os princípios de transparência que a gente precisaria ter refletidos no ambiente de doação. Então, a gente colocou a régua de doação — sempre tem uma meta e quanto já foi arrecadado para aquela meta. A gente contabiliza desde o dia zero, então desde o comecinho de 2020 do que já foi doado. E a questão das imagens: dentro de cada campanha você consegue ver a transparência da ONG que você está apoiando — tem imagens e texto explicando o que eles fazem. 

 

Nasceu dessa forma! Em janeiro de 2020, foi colocado para 100% da base. Para quem não conhece, nunca viu, dentro do app do IFood, você tem, no cantinho de baixo direito, o ícone de uma pessoinha que é o seu perfil de usuário. Dentro do perfil de usuário, você desce um pouquinho e vai aparecer “minhas doações” e lá a gente tem, hoje no ar, sete campanhas. Começou com uma campanha que era da ONG Ação da Cidadania, no combate à fome — até aproveitar para deixar o nosso super agradecimento à Ação da Cidadania, para o Kiko, especialmente, que apoiou bastante a gente nessas diretrizes de como deveria ser esse ambiente.

 

Vanessa: Boa! Muito legal! E o que você consegue nos falar sobre resultados, desde que o botão foi inserido no aplicativo? Quanto já foi doado? Quantas pessoas doaram? O que vocês têm de dados para compartilhar com a gente?

 

Láislla: Ah, legal! Bom, depois veio pandemia. Começamos em janeiro de 2020 com o ambiente de doação, poucos meses depois vem a pandemia e a coisa toma uma proporção que nem a gente sabia que ela tomaria. Hoje, a gente já tem arrecadado quase 7 milhões de reais doados pelo app — a gente está em 6,7 milhões. E foram mais de 400 mil pessoas que doaram pelo aplicativo.

 

Vanessa: Poxa, que bacana! Você já comentou um pouco do ambiente de doação, de ser uma experiência agradável… Acho que já está todo mundo mais acostumado a usar aplicativos, então isso contribui muito. Queria saber como é o engajamento dos usuários do iFood? Quantos deles se tornam uma espécie de doador recorrente pelo aplicativo depois de fazer uma primeira contribuição?

 

Láislla: Quando a gente começou, a gente ainda não pensava no ponto da recorrência, estavamos muito focados em gerar a oportunidade e usar o fluxo de pessoas que estão dentro do aplicativo para promover o movimento. Vale constar: como contei lá no começo, em 2019, a gente tinha 20 milhões de pedidos mês pelo app. Hoje, 2021, a gente está em torno de 60 milhões de pedidos por mês no app. Então, são muitas oportunidades, são muitas pessoas que trafegam por ali.

 

A gente usa algumas ferramentas para lembrar as pessoas de que o ambiente existe: acho que tem muito disso de lembrar a pessoa de fazer a sua doação. A gente usa os nossos canais de CRM e acho muito legal isso, porque são canais para gerar conversões de venda no app e a gente usa esse próprio espaço que é super forte para convidar as pessoas a doar. Então, a gente tem uma régua de comunicação contínua por esses canais. Toda semana a gente manda dois pushes falando de alguma campanha específica. Isso é outra coisa que a gente percebeu: no começo, a gente levava para o ambiente de doação. Com o tempo, a gente percebeu que, se a gente direcionar cada vez mais, para a pessoa é mais fácil: diminui o paradigma da escolha. Então, a gente tem uma régua para durante o período conseguir falar de todas as campanhas, mas cada semana a gente fala de uma. Doe para o Orgânico Solidário cestas de legumes, frutas e verduras, e a pessoa já cai direto dentro daquela campanha.

 

É uma forma de manter isso aquecido com os nossos usuários. A gente não tem ainda uma ferramenta de promover a recorrência, mas isso está no nosso radar para o futuro: ter um espaço em que o usuário possa selecionar se a cada pedido que ele fizer, quer também fazer uma doação, incluir um real de doação por pedido, por exemplo. Hoje, a gente ainda não tem essa ferramenta, mas já identificamos que cerca de 57% das pessoas que já doaram no app fizeram mais de duas doações. Quando a gente fez uma pesquisa perguntando para as pessoas sobre os hábitos de doar, descobrimos que muitos deles não doam só pelo app, mas também fazem isso por outras ferramentas.

 

Vanessa: Muito legal! Você citou o caso do Orgânicos Solidários, a gente até ouviu um pouco deles no início do episódio e comentou que estão com sete campanhas ativas. Como vocês escolheram as organizações? Como foi essa aproximação e critérios para escolher essas instituições?

 

Láislla: Legal! Como comentei lá no início, quando foi desenhar as metas de sustentabilidade do IFood — que é relativamente nova — a gente passou primeiro por esse processo de entender quais eram as nossas causas. A causa da alimentação é uma delas, então promover a segurança alimentar, e existem outras: a causa do meio ambiente é uma delas. A gente tem metas de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e de combater o plástico no delivery, mitigar questões relacionadas à reciclagem. A gente tem a causa relacionada à educação: formar jovens em tecnologia é uma grande causa do IFood e a gente entende que se trabalhar em uma educação básica de qualidade no Brasil, a gente também consegue ter jovens mais bem preparados para ocupar essas cadeiras de tecnologia. E diversidade e inclusão: hoje é uma causa que está para dentro de casa, a gente tem quase 5mil funcionários no IFood hoje e temos metas internas de termos pessoas negras, mulheres em todo o quadro, mas também nos cargos de direção.

 

É como se a cultura de doação fosse a nossa quinta causa: por meio dela, a gente endereça todas as outras. A gente começou com doação de alimentos, com a ONG Ação da Cidadania, e foi ampliando para que outras causas também estejam refletidas. A gente ainda não tem um parceiro que endereça diversidade e inclusão, mas devemos ter a partir de 2022. Hoje, para citar as sete são: o Orgânico Solidário (como já comentei), a Ação da Cidadania (como já comentei, e que está com a gente desde o início), a Gastromotiva também (entregando refeições), CUFA (Central Única das Favelas, que fez um trabalho magnífico com a gente de distribuição de refeições em todos os estados do Brasil durante o auge da pandemia), a Gerando Falcões (a gente tem parcerias bem legais por meio do aplicativo de doações, mas também outras: a gente está com eles em um projeto super legal de horta urbana em uma escola em Ferraz de Vasconcelos, por exemplo, temos outros projetos também), Todos pela Educação (que faz advocacy por uma educação básica brasileira de qualidade) e SOS Mata Atlântica (que planta árvores e trabalha na regeneração do bioma da Mata Atlântica). 

 

Acho que não esqueci de nenhum! Espero! (risos)

 

Vanessa: Acho que não! (risos) É muito legal como você coloca que é uma questão de coerência: começa dentro para depois sair para fora. É uma causa da empresa e isso é colocado como algo que o próprio consumidor pode abraçar. Láislla, para fechar, queria que você falasse um pouco tanto do futuro dessa ferramenta no IFood, e se você vê essa possibilidade de doar pelo aplicativo — não só pelo delivery de comida, mas outros aplicativos que tem começado a surgir funcionalidades dessa. Você acha que isso vai se espalhar? A gente está diante de uma pequena tendência que está começando agora e vai ficar mais comum? Como você vê esse futuro?

 

Láislla: Olha, eu espero que sim! Eu sei que o IFood está sendo bastante ousado no que a gente está fazendo: a gente começou com esse ambiente de doação no perfil do usuário dentro do app, hoje já está com uma nova funcionalidade que é a doação no check out. Check out é a sacola, é um momento dentro do fluxo de venda do IFood. Então, você vai fazer seu pedido, escolhe tudo, e a sacola é onde você está colocando a forma de pagamento. Ali aparece se você quer adicionar uma doação nesse pedido. Isso é bastante inovador, vamos dizer, colocar uma oportunidade de doação dentro do fluxo. Eu espero que outras se inspirem e façam o mesmo! Espero que a gente realmente possa estar diante de uma tendência.

 

Acho que a tendência da doação como um todo veio, especialmente por conta da pandemia, mas a gente sabe também que com o tempo a coisa vai perdendo a força. Então, é muito importante que a gente mantenha isso, não seja só uma onda, que a gente faça nossa parte para manter.

 

Vanessa: Com certeza! Acho que esse tipo de oportunidade, em lugares que você nunca imaginou que pudesse doar, faz um trabalho muito bacana nesse sentido: da gente não esquecer dessa prática e colocar no nosso dia a dia. Láislla, adorei o papo! Acho que foi muito bacana saber um pouquinho mais, fica o convite para quem está nos ouvindo: quem não doou, conhecer, baixar o aplicativo e ver a funcionalidade na prática. Para a gente encerrar, vamos agora para a Rodada Relâmpago, tá bom?

 

Láislla: Vamos lá!

 

Vanessa: Vou te fazer 5 perguntas e você responde com a primeira coisa que vier, mais bate e pronto.

 

Láislla: Beleza!

 

Vanessa: Qual foi a sua doação mais recente?

 

Láislla: Foi a famosa limpeza do guarda-roupa! Fiquei uns dias aqui em casa e fiz aquela reorganizada geral, tirei muita coisa e está aqui separadinho para ir pro bazar como doação.

 

Vanessa: Qual é a sua causa do coração?

 

Láislla: A causa da alimentação se transformou na minha causa do coração. Eu sou engenheira agrônoma por formação, depois migrei para a área de meio ambiente e gestão ambiental, depois fui para a área de sustentabilidade propriamente dita e impacto social. Então, juntar tudo isso com levar comida para quem realmente precisa é a minha causa do coração, com certeza.

 

Vanessa: O que você doa e que não é dinheiro?

 

Láislla: É legal essa rodada! Coloca a gente em um lugar bacana! Eu venho de uma família evangélica. Meus pais são pastores evangélicos desde que eu tenho 6 anos de idade e acredito muito nesses ambientes da comunidade. Às vezes a gente tem essa coisa meio egoísta de pensar na família, nos amigos e acho que esses ambientes que promovem esses vínculos entre comunidades, pessoas de diferentes idades e classes, geram oportunidades muito legais. Isso vem desse lugar, esse desejo de gerar algum tipo de impacto social. Então, cresci desde criança fazendo campanhas de arrecadação, de doação dentro desse ambiente e acho que é muito bom! Uma experiência muito legal!

 

Vanessa: Perfeito! Não sei se agora vai ser uma saia justa, mas vou pedir para você citar uma organização ou um projeto que você admira e/ou apoia:

 

Láislla: Total saia justa essa! (risos) Acabei de citar as sete que a gente apoia, não tem para mais nem para mesmo: acho que as sete são excelentes organizações, grandes organizações e são todas do meu coração e sabem disso! Se eu puxar sardinha para alguma, é capaz de eu me indispor!

 

Vanessa: Vou deixar essa passar! Para terminar, queria que você fizesse um chamado à doação! Não sei se você tem alguma história para compartilhar de alguém que você convenceu a doar, ou se não, você pode fazer isso agora, ao vivo!

 

Láislla: Legal! Estou nesse caminho a pouco tempo dentro do IFood. Acho que a gente fez várias campanhas convencendo pessoas a doarem. Para dentro e para fora de casa, sem dúvida vários lovers — a gente chama de food lovers as pessoas que trabalham no IFood — passaram a doar por conta disso.

 

Uma que eu vou citar é a Cintia Galvão. Não foi por minha causa que ela começou a doar, mas ela é gerente de produto, trabalha com tecnologia e foi uma das grandes responsáveis por desenvolver todo o ambiente de doação no aplicativo. E para ela, tenho certeza de que foi algo super novo, uma oportunidade de trabalho promoveu para ela, e foi uma experiência muito bacana que a gente experienciou juntas!

 

Vanessa: Poxa, que legal! E a Cíntia convenceu todo mundo a doar com o aplicativo! Muito bom! 

 

Láislla: É isso aí! A Cintia mudou a régua!

 

Vanessa: Láislla, muito obrigada! Foi ótima a conversa! Volte sempre que quiser! Acho muito bacana ter essa experiência e que seja uma tendência que a gente ouça cada vez mais falar!

 

Láislla: Obrigada, Vanessa! Foi um grande prazer estar aqui, estou realmente muito feliz! A gente se orgulha muito do que está entregando e, realmente, espero que várias pessoas sejam impactadas por essa experiência e reproduzam em outros lugares, Muito obrigada!

 

Artur: Tão fácil quanto doar apertando um botão, é doar fazendo uma compra de um produto social! Chegou a vez de ouvir quais são as dicas da Duda Schneider no Merchan do Bem!

 

Duda: Oi, gente! Eu sou a Duda Schneider e esse é mais um quadro Merchan do Bem. Já pensou se na sua rotina de skincare, além de fazer o bem para si mesmo, você fizesse o bem para o mundo? Agora é possível com a linha linda da Granado chamada Folha Imperial. A coleção é uma homenagem à Mata Atlântica e também um convite à reflexão da importância de sua conservação.

 

Em parceria com a ONG ambiental SOS Mata Atlântica, a Granado vai doar 5% do total das vendas para a conservação e restauração da floresta, a recuperação das bacias hidrográficas e ações de educação ambiental. Também serão plantadas cerca de 10mil mudas de árvores nativas do bioma no estado de São Paulo para compensação de CO2.

 

A coleção tem sabonetes, hidratantes, difusor de ambientes com embalagens lindas e que são ótimas opções de presente! Para garantir o seu é só entrar no site da Granado: www.granado.com.br e buscar por Folha Imperial. Por hoje é isso, pessoal! Espero que tenham gostado e até a próxima!

 

Roberta: Que massa essa conversa com a Laislla, Artur. Muito legal ver ferramentas que deixam a doação mais fácil e que aproximam uma pessoa que não tem o costume de doar a essa oportunidade. Aliás, Artur, a pesquisa que citamos no bate-papo com a Laislla, que o iFood fez com seus usuários, aponta que 35% fazem doação pelo app por causa da credibilidade da marca. Isso é muito interessante e é algo que a gente vê acontecendo, não só em botões de aplicativo, mas também quando fala de produtos sociais, de arredondamento de troco… Como você é cliente daquele serviço, daquele varejista, daquele aplicativo, você confiando nele, confia por tabela na organização que vai receber o recurso mesmo quando não é uma organização conhecida. E isso pode ser muito legal para espalhar mais as doações! Porque a gente vê muitas grandes organizações recebendo e conseguindo chamar mais atenção, mas é muito difícil das pequenas chegarem lá, de ter essa pulverização. Os botões de doação em aplicativo podem ser um caminho para isso, para no futuro você doar para a causa e isso ser multiplicado em diversas organizações pelo Brasil, dividindo melhor os recursos no setor. Acho essa perspectiva muito animadora!

 

Artur: Não deixa de ser uma forma de investimento social das grandes empresas. Afinal, embora não seja um investimento direto, você investir a sua credibilidade, é um ativo instalado, que a empresa gastou muitos milhões para construir ao longo dos anos e se associar à organizações que não tiveram como construir a marca como essa grande empresa é uma forma de se co-responsabilizar pelo que está fazendo. 

 

No caso do IFood, uma coisa que acho muito vindoura é a questão da facilidade. A gente, na Editora MOL, criou um negócio social baseado nisso: ao invés das pessoas irem até a banca ou à livraria para comprar um livro ou uma revista, a gente entendeu que era melhor ir atrás das pessoas na farmácia, nas lojas que elas mais frequentam, colocamos um produto, com preço acessível, no caixa, com renda revertida para ONGs. De certa forma, é um pouco do que o IFood está fazendo e tem algumas outras iniciativas como o Arredondar, que tem um botão de doação no carrinho da GOL linhas aéreas, tem algumas outras iniciativas que já fazem isso e gostaríamos de ver isso em todos os e-commerces! Dava para fazer isso, um botãozinho a mais não é o que vai inviabilizar a compra!

 

Para quem ficou interessado nesse tema do botãozinho, da compra em um clique só, existem muitas iniciativas, tem o Nubank que lançou um botão de doação no ano passado e conseguiu arrecadar cerca de R4 74 milhões de reais para as entidades parceiras, entre elas a Cruz Vermelha, o Hospital das Clínicas, a CUFA e a Ação da Cidadania, estas duas últimas também parceiras do iFood. 

 

Roberta: Tem também o Mercado Pago, Artur…. a cada mês eles escolhem uma ONG diferente para receber doações. Já passaram por lá a TETO, a Habitat Brasil, o IDESAM, e o Fundo AGbara, que é um fundo voluntário voltado para negócios de mulheres pretas e indígenas, entre outros. Eu também já doei cestas básicas, há muito tempo o Pão de Açúcar oferece essa oportunidade para doar para a Amigos do Bem. Mercado Livre faz ações pontuais, fez durante a pandemia de cestas básicas e em outros momentos relacionados à causas. Os meios de pagamento como PicPay e Ame também ofereceram opções de doação desde o começo da pandemia e seguem oferecendo, pode ser uma maneira de redirecionar o seu cashback.

 

O que acho mais interessante, Artur, quando a gente fala nisso é pensar que quando líderes de mercado começam esse movimento, acabam arrastando pelo exemplo e subindo a barra. Então, quando  você fala que queria ver todos os e-commerces com isso, acho que se os grandes começam a fazer, começa a ficar sem saída para os concorrentes, para os médios, para os menores que estão entrando no mercado. E isso tende a fazer parte de todos os negócios digitais: incluir a opção de doar ao fechar uma compra, seja que compra for.

 

Artur: E se você está se perguntando se em outros lugares além do Brasil tem isso, tem! E, muito provavelmente empresas como o Facebook e o Instagram, que em alguns países já tem botão de doação em suas plataformas de redes sociais, vão lançar isso aqui também.  O Zoom — aquele nosso amigo de todos os dias das reuniões a distância — criou o Donations by Pedge, que permite arrecadar doações por meio de botão nas suas videochamadas, tanto em evento como em reuniões. Opções confiáveis e facilidades para fazer uma doação não faltam.

 

Roberta: E pequenas quantidades! Acho que isso é muito legal, a oportunidade de experimentação: está na dúvida? Doa um real no fechamento da compra do seu hamburguer. Foi legal a experiência? Na próxima vez, você doa dois, depois quatro, depois doa em todos os pedidos e assim a gente começa uma longa relação para fazer as pessoas doarem cada vez mais e melhor: E quem tiver uma história bacana de doação por aplicativo, de como conheceu e quiser contar para a gente, pode mandar lá no nosso Instagram @institutomol ou no nosso perfil do LinkedIn! Vamos falar mais sobre isso, vamos ajudar a encontrar bons exemplos e ensinar as empresas a fazerem melhor isso também!

 

Artur: E não nos esqueçamos do email contato@institutomol.org.br!

 

Roberta: A gente adora receber recados, sugestões de pauta, críticas, ideias de convidados, temas… Por favor, escrevam para a gente, estamos aqui! 

 

E por hoje é isso pessoal, semana que vem estamos de volta! Esse podcast é uma produção do Instituto MOL, com apoio do Movimento Bem Maior, da Morro do Conselho Participações e da Ambev, além da divulgação do Infomoney. Esse episódio teve produção da Graziela Lavezo, e o roteiro final e direção é de Vanessa Henriques e Ana Azevedo, do Instituto MOL. As colunas são de Rafaela Carvalho e Duda Schneider, da Editora MOL. A edição de som é do Bicho de Goiaba Podcasts. Até mais!

 

Artur: Até mais, gente!

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